quarta-feira, outubro 22, 2014

A Recusa e a Repulsa








Uma legião de Jornalistas, Blogueiros, Professores, Formadores de Opinião e toda e qualquer forma de Ser pensante ou não afinal, nenhum dos citados precisa ser necessariamente pensante para ocupar as denominações acima, resolveu "assumir um lado", vestir uma camisa (ou uma saia) e rasgaram o frágil, intocável e talvez invisível "princípio da neutralidade" (Se é que isso existe... e se não existe, vamos fechar os Tribunais por todo o Planeta) e de certa forma batem no peito, cheios de orgulho para dizer "EU ASSUMO UMA POSIÇÃO E UM LADO! E TU?"






Muito me alegra ver a coragem da Revista CARTA CAPITAL ao assumir uma posição ideológica de forma aberta, ao contrário de seu "antagônico reflexo" no espelho da imprensa nacional, a Revista VEJA, que posa de Neutra aos desavisados para emplacar suas mais sórdidas mentiras, quase sempre pendentes a um único lado da balança.


Mas sinto um misto de alegria - afinal toda coragem me encanta! - com surpresa em assistir uma legião cada vez maior destes ditos Seres Pensantes, abrindo a guarda, o voto, a posição e o lado corajosamente.


*Alguns abriram as pernas também, mas esses já não vale mais a pena citar. Como parte da imprensa impressa de Rio Grande, que têm dado um belo exemplo de  merda através de ALGUNS de seus interlocutores na Rede Social.


Todos eles, invariavelmente se consideram ponderados o suficiente e aptos para divagar entre a crítica e a auto-crítica. Partem da premissa de: 

"Eu tenho um lado, isso é bonito,  sadio, contribui para o debate mas sei reconhecer os erros naquilo em que defendo."




Interessante não é mesmo?

Mas eu não acredito nisso, uma vez que só consigo crer naquilo que posso enxergar ou pelo menos experimentar na prática. Nunca vi.

Partem da velha premissa daquele mendigo que passou a vida inteira sujo, maltrapilho e que também nunca fez o mínimo esforço para tirar o cheiro de esgoto das entranhas e que afirma convictamente que "Higiêne não existe", para justificar a inexistência de isenção em quem escreve.
Deste ponto de vista, fica fácil entender.

Nessas horas, eu lembro do que escreveu certa vez, o Promotor José Alexandre Zachia Alan, não recordo se em seu Blog ou em outra rede social; "É preciso no mínimo ser Equidistante!"

Existe isso por parte de quem sepultou a Isenção?
A resposta é não.

Não existe sequer um único esboço de pelo menos flertar com o equilíbrio.





Mas afinal o que é isso, que esses 
caras chamam de LADO?

- E até onde seremos capazes de ir, seccionando os meios de comunicação em LADOS, como se a informação fosse uma imensa maçã?
- É regra silenciar quando é cômodo e gritar quando convém?
- Se é cínico e sujo usar de uma falsa e intocável neutralidade para fazer valer uma opinião, será que a massa possui discernimento e filtro para sobreviver fora disso ?


Nessa hora eu lembro da Venezuela, só para citar um exemplo, com seus cerca de 30 jornais declaradamente ANTI-GOVERNO pintando o inferno na terra e outros 20 ditos "Chavistas", auto proclamando o Paraíso.
A informação que se fôda.

E a tendência aqui é esta, não se iluda.





Houve um tempo, lá próximo a segunda metade dos anos 80, em que eu acreditei que fosse possível mudar a árvore cuidando de sua raíz. O tempo passou e eu descobri que TODOS os que estiveram próximos ou no topo, jamais se preocuparam justamente com isso.

Ao longo das últimas seis décadas (?) cultivou-se uma imensidão de árvores neste pomar chamado Brasil porém, jamais se cuidou com todo o carinho necessário de uma única semente de mudança.
Confundimos e difundimos por décadas o cultivo de esperança em uma terra árida e inóspita.



Mas continuo, apesar de tudo, acreditando.
Ou pelo menos acreditei até aqui, enquanto o Gotas de Ácido ainda agoniza no ar.


Acreditando por exemplo, que de nada adianta criar universidades se a mudança não vier da base. O que vai se fomentar, é uma indústria de analfabetos letrados ou doutrinados; uma fábrica de fantoches lobotomizados, como bem descreveu Roger Waters quando mostrou que era preciso ir além de apenas quebrar um muro lá no início dos anos 80. 




Que muro nós quebramos do Brasil?
O muro da fome?


Não basta encher o estômago se a cabeça estiver vazia; criar-se-á uma geração de conformes saciados. Não se pode criar uma geração de serviçais apenas para abastecer o mercado, se por outro lado luta-se exatamente contra este sistema. Não se pode condenar uma classe denominada de "média" por sua condição financeira, exatamente por não ter sido educada a pensar, ao passo em que existe orgulho governamental por fazer ingressar milhões - que continuam não pensando - justamente nessa classe média.
A ensinem a pensar, para que depois não vire alvo dos ataques de raiva da Marilena Chauí.

Marilena Chaui sobre a Classe Média



Houve uma preocupação enorme em vender televisores dos mais variados tamanhos, digitais e ultra-modernos; pouco importou a qualidade do lixo que salta de suas telas.


Formamos nos últimos anos, uma população de formiguinhas que soldam plataformas, fazem blocos de motores e apertam parafusos com maestria, saídos da Fábrica de Técnicos fomentada pelo Estado para abastecer a engrenagem da máquina que sufoca o formigueiro.

Facilitou-se o ingresso nas Universidades e elas nunca estiveram tão modernas, tão bonitas e também nunca tiveram tantos jumentos ocupando suas cadeiras antes.


Compramos e vendemos felicidade das mais variadas formas e tamanhos. No Brasil pós Revolução Social - sim, alguns acreditam nisso! - a felicidade pode vir com Air Bag, Touchscreen e GPS. Mas não nos ensinaram a fechar a torneira, apagar a luz da sala, reciclar corretamente o lixo.


Nunca se falou tanto em SUSTENTABILIDADE.
Duvido que cinco entre dez pessoas saibam o significado disso.
DUVIDO!


Nos últimos doze anos, justamente quando estiveram no poder aqueles em quem eu acreditei um dia, existiu o orgulho estatal de tirar homens e mulheres da chamada Linha da Miséria, mas jamais existiu preocupação de se tirar esses homens e mulheres da Linha da Mediocridade.
Foi quando eu parei de acreditar.


Não se pode tirar o Homem apenas da miséria material.
A nossa miséria é bem mais profunda do que isso.
A nossa miséria imaterial é que fomenta gerações e gerações de políticos corruptos, de péssimos mestres, de odiosos formadores de opinião; do ladrão de galinha ao assaltante de banco, do traficante de cocaína ao traficante de influência nos corredores de estatais, parlamentos e gabinetes.
E o pior de tudo; convenceram grande parte da massa de que ela é quem esta no comando, nos vendendo essa frágil e falsa ideia de Democracia.



A nossa miséria não acabou ao saciar-se a fome de comprar um automóvel em sessenta parcelas, enriquecendo os bancos ao se pagar TRÊS carros ao final do empréstimo, lotando as concessionárias enquanto as bibliotecas permanecem vazias e as livrarias cada vez são mais escassas. E o governo cinicamente através de seus ridículos comparsas nas redes, tenta incutir a falsa ideia de que este é o Governo do Povo contra os banqueiros.


A nossa miséria não acaba e fica a cada dia mais forte, quando o sistema ao qual sempre se combateu, é apenas a mesa de suporte para uma enorme engrenagem cujo combustível é o consumismo, o imediatismo e o assistencialismo barato disfarçado de Projeto.




Mas que Projetos afinal são esses?

Um estufa o Estado como uma enorme barriga gorda de um corpo sem cabeça.
O outro, torna o Estado um nanico raquítico, engordando uma máquina cujo óleo lubrificante é o trabalho cego e surdo de uma massa de ignorantes.

A saída não pode ser apenas calar a boca com um pedaço de pão e a propaganda de que estamos "na Aurora". Eu me recuso a acreditar nesta anestesia.


A geladeira pode estar cheia ainda que se pague no cartão em 30 vezes, mas a consciência da massa permanece vazia, tal qual sempre esteve desde que declaramos uma independência de plástico da Coroa Portuguêsa feita e ornamentada em ouro e diamantes retirados do nosso solo, que nós nunca aprendemos a defender.


Se a Direita nunca teve a menor das intenções em mudar isso, é bom que se saiba que a Esquerda - ou seja lá que diabos o PT representa! - também fracassou.


Ele entrou na dança e se alguém reconheceu nos meus exemplos acima, o frágil castelo de cartas que o ex-presidente Lula se orgulha de citar saiba, não foi mera coincidência. 


A Direita sempre atirou no chão um duro pedaço de pão e nos deu um circo com uma lona suja e rasgada, com um palhaço sem graça.
A Esquerda apenas recheou o pão com a mais barata maionese e nos proporcionou a possibilidade de financiar o Circo em 48X na bilheteria e de quebra, ainda nos deu a falsa oportunidade de ser o Protagonista no picadeiro, com um enorme nariz vermelho e redondo.



Ambas fracassaram e ponto final.
E não há horizonte próximo sem que se mexa naquilo que o "Comando" não quer ou não pode; uma profunda e bem pensada reforma no nosso sistema político atual.
O PSDB e a maior puta da História política deste país, o PMDB, jamais se preocuparam com isso.
E o PT e seus asseclas, tiveram mais de uma década praticamente liderando ou cooptando o congresso para fazer vistas grossas e entrar na velha dança, afinal é conveniente e garante a maldita GOVERNABILIDADE.


É assim que eu vejo este Brasil de tantos Brasis de norte a sul, com uma estúpida riqueza cultural e histórica e quase nada para que se encontre um único indício de Nação. Seria pedir demais. Se a geografia e a nossa formação histórica praticamente tornam isso inviável, jamais se plantou esta semente neste solo.


Passamos toda nossa história fugindo de fantasmas ou ditaduras e a nossa república já começou dando errado, com Generais e Coronéis, passando por populistas, loucos, megalomaníacos, outra vez Generais, filhotes de uma ditadura disfarçados de cordeiros, irresponsáveis, sociólogos fracassados, marionetes de um sistema que os corrompeu em uma frágil democracia.



Nossa democracia é tão infantil, que vença Aécio ou Dilma, nenhum dos dois terá mais da metade absoluta dos votos após o fechamento da última urna.

Será a vitória baseada em discursos frágeis e presunçosos, que dividiram o país como se ele fosse uma imensa tribo de selvagens que se odeiam, divididos em pobres e ricos, letrados e ignorantes, norte e sul.
Uma tragédia.



Baseado nesta inquietação por uma mudança que talvez nem a geração dos meus netos enxergue no horizonte, eu me sinto no direito de colocar o meu voto nulo na urna no próximo domingo afinal, coloca-lo em Dilma Rousseff ou Aécio Neves, aí sim seria para este blogueiro, coloca-lo na Lixeira. Nenhum dos dois representa ou significa nenhuma forma de REAL MUDANÇA. 
Um lhe mantém na jaula com um bife, o outro o mantém alimentado preso à corrente.
Ambos representam uma incoerente e surreal Megolamania da Mediocridade.





Para quem ainda se comporta como um Retardado, seja por torcida - afinal o nosso circo transformou-se nisso ultimamente! - ou por interesses, boa sorte!




Nunca na minha vida, eu tinha visto tanta gente se expor ao ridículo em nome de um processo eleitoral; simpatizantes, jornalistas, advogados, economistas, militantes, meros torcedores. É uma histeria coletiva.

Que vergonha por todos vocês!

Que vergonha!







Eduardo Bozzetti














sexta-feira, outubro 17, 2014

A eleição antipetista




Por David Coimbra




Esta é a eleição do antipetismo. Vejo amigos petistas magoados, queixando-se do ódio que as pessoas sentem do PT. É verdade, é ódio mesmo, e também é verdade que nada se constrói com ódio. Mas os petistas precisam compreender que o antipetismo não existia antes do petismo. O antipetismo é uma reação.

Os petistas dignos tinham de tentar compreender a natureza da ação que gerou essa reação. Por que o antipetismo tão feroz infiltrou-se em praticamente todas as artérias da sociedade brasileira? Alguns analistas petistas tentam explicar o infortúnio do PT por seus méritos. 

Grosseiramente falando, seria uma reação dos ricos e da classe média, que não admitem ver pobres melhorando de vida. Isso é uma tolice. É como aquele sujeito insuportável, detestado por todos, que justifica sua solidão pela inveja que os outros supostamente sentem da sua beleza, da sua inteligência, da sua competência, seja o que for.

Se os petistas tiverem humildade, reconhecerão vários motivos para essa rejeição, mas um acima de todos: é a atitude religiosa e excludente dos petistas, que acham que o PT detém o monopólio da correção política e do porte das bandeiras de causas populares. 


O petista transformou-se em algo parecido com um gremista, com um colorado, com um torcedor de futebol, que vê no seu clube o sal da terra e no adversário o próprio Mal. Cada vez que um petista abre a Tamanha arrogância até seria perdoável, se correspondesse à realidade. Não corresponde, e os escândalos de corrupção orgânica que saltam como carpas das águas do governo do PT estão aí para comprovar.





Esse, aliás, é o segundo grande motivo da rejeição ao PT. Lula, com seu gênio político, entendeu que o PT precisava se abrir para governar. Mas aí foi ao extremo. Abriu-se demais, fez concessões demais. E trouxe para junto do PT tudo o que o PT repudiava. O PT fez as alianças mais espúrias da história da política brasileira, e digo que são as mais espúrias não por quem se aliou ao PT, mas pelo PT. Pelo PT ter aceito tais alianças. 




Afinal, os brasileiros esperam que Sarney, Collor, Maluf e Calheiros façam aliança com qualquer um para deter o poder, mas não esperavam que o PT fizesse alianças com Sarney, Collor, Maluf e Calheiros para deter o poder. Foi uma traição. Uma traição, inclusive, aos muitos petistas retos que há.

Agora o PT vive um momento delicado, sentindo o antipetismo pulsante em todo o país. Não sei se isso levará o PT à derrota na eleição, mas sei que este pode ser um momento de aprendizado. Pode ser um momento de engrandecimento. Porque as crises não servem só para fazer sofrer. Servem para fazer crescer.



David Coimbra
Jornalista, Diretor de Esportes e Colunista do Jornal Zero Hora
*Coluna Publicada sob autorização do Autor*